Graduada internacional do Haggai, Karina Andrea Pereira Garcia Coleta (Maui, 2008), é esposa do pastor e também graduado do Haggai Tcharley Canutto Amaral Coleta (Campinas, 2006). Profissionalmente, desde 2002, Karina é coordenadora de pesquisa do centro de pesquisa de marketing da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Depois de perderem um filho no sétimo mês de gestação, um bebê de 500 gramas, que recebeu onome deTiago, eles decidiram pela adoção.

Começando da esquerda: Cauan Pedro Garcia Coleta (2 anos) Tcharley Coleta, Karina Coleta e Hebert Garcia Coleta (3 anos).
Após um período de conhecimento e de grande ansiedade, exatamente durante seu curso internacional em Maui em janeiro de 2008, Karina, nas quatro semanas que permaneceu no exterior, aguardou, com o coração na mão, a visita de quatro casais que tinham prioridade na lista de adoção, um por semana, para que decidissem se ficariam ou não com os irmãozinhos Hebert e Cauan, por quem ela já estava apaixonada.
No dia da formatura, porém, seu esposo ligou para Karina para lhe dar a grande notícia de que os dois ficariam com eles para sempre. Ao descer no aeroporto de Confins, Belo Horizonte, Karina foi recebida pelo esposo e pelos dois filhinhos, que gritavam seu nome e a chamavam de mamãe.
Karina nos conta em detalhes emocionantes como tudo aconteceu. Acompanhe:
Eu e Tcharley queríamos muito ter um filho, mas devido a um problema hormonal eu tive dificuldades para engravidar. Passamos mais de dois anos tentando. Esperávamos que Deus nos concedesse o que para nós era um verdadeiro milagre, mas, em novembro de 2005, tivemos o tão esperado teste positivo. Eu finalmente estava grávida! Que alegria!A gravidez correu bem até o quinto mês de gestação. Fui fazer o ultra-som mensal de rotina e descobrimos, assustados, que o nosso bebê não crescera o suficiente. O diagnóstico: trombofilia. Era como se o cordão umbilical tivesse entupido e, por isso, nosso bebê não estava recebendo alimento e nem oxigênio suficientes.
Família unida pelo amor de Jesus
Nossa médica, diante dos resultados dos exames, logo descartou aquela gravidez, disse ao Tcharley que o nosso bebê não sobreviveria dentro do útero, que era uma questão de poucos dias e ele morreria. Tcharley não me contou isto, guardou este sofrimento apenas para si.
Começamos a orar por um milagre: que o nosso filho nascesse saudável e que sobrevivesse. A cada ultra-som, era muito doloroso ver a cara de decepção dos médicos, eles balançavam a cabeça e nos falavam da inviabilidade daquele bebê nascer com vida.

Alegria de Cauan e Hebert!
Mas, para surpresa de todos, ele ainda crescia, pouco, mas crescia. Ele lutava contra toda aquela situação adversa e sobrevivia. Os poucos dias que os médicos deram se transformaram em 2 meses. No sétimo mês, nossa médica nos colocou diante de uma dramática decisão: interromper a gravidez e retirar o bebê, afinal ele já tinha alcançado o peso de 500g. Não sabíamos o que fazer. Era uma quarta-feira, dia 3 de maio de 2006, ela queria retirar o bebê na sexta-feira.
Como trabalho como pesquisadora, no dia seguinte fui pesquisar artigos sobre o problema da minha gravidez e encontrei um em que os autores sugeriam que a gestante ficasse internada sob monitoramento intensivo. Foi o que pedi à nossa médica e ela concordou.
No dia da internação, quinta-feira, os médicos descobriram que o problema se agravara e que o bebê teria que ser retirado imediatamente. Imagina! Se eu tivesse deixado para sexta, ele teria morrido no útero.
Um papai orgulhoso e dois filhos super felizes!
O médico que estava de plantão era cristão, e orou conosco. Fui para sala de parto e naquela noite, às 22:22h, nasceu o nosso guerreiro, Tiago. Todos os da equipe médica ficaram impressionados, como aquele ser tão frágil, de apenas 445g (o menor da história daquele hospital) poderia ser tão forte!Ele foi entubado e levado para a UTI neonatal. Durante seis dias tudo o que pôde ser feito, foi feito. Ele foi amado, cuidado, tratado. Estávamos ali todos os dias. Eu, inchada pela cirurgia. Tcharley, moído pelo cansaço e dor. Mas ali estávamos, dia após dia, conversando com nosso tesouro, orando por um milagre. O milagre não veio do jeito que queríamos, 6 dias depois, recebemos a notícia de que ele não havia resistido.
Foi o amor de Deus que nos conduziu até ali, qual o propósito? Meu marido pôde ver o filho, vivo, eu pude vê-lo vivo, tocar nele, cantar pra ele. Não tem preço isso. Mesmo que não o tenhamos, somos felizes por sermos pais de um verdadeiro lutador, aprendemos muito com aquele pequenino.
O tempo passou, a dor sempre presente, mas decidimos glorificar a Deus mesmo no meio da dor.

Cauan e Hebert num passeio pelo parque
Quatro meses depois, Tcharley foi fazer o treinamento do Haggai em Campinas. Compartilhou com seus companheiros a dor que ainda sentia.
Quando se aproximava a data em que nosso Tiago faria 1 ano, 4 de maio de 2007, decidimos celebrar a vida dele de uma maneira que fosse significativa para alguém. Decidimos ajudar uma criança necessitada e pedimos a Deus que nos guiasse.
Encontramos um abrigo cristão para crianças em situação de risco. Começamos a ajudá-los.
Em dezembro de 2007 eles nos ligaram, perguntando se queríamos receber uma criança para passar o natal conosco. Concordamos, e eles enviaram o Hebert, então com 2 anos.
Nós o amamos. E decidimos adotá-lo. Ele veio de um contexto de maus tratos, desnutrição, espancamento, mendicância. Era um menino apático, franzino, triste.Logo viajei para o treinamento do Haggai no Havaí, em janeiro de 2008.
Meu marido ficou cuidando do processo de adoção.Fomos informados que ele tinha um irmãozinho de 1 ano que não poderia ser separado dele. Concordamos em adotar os dois, no entanto, tínhamos que respeitar quem já estava na fila de adoção. E já havia 4 casais interessados em adotar dois irmãos pequenos, ou seja, nossas chances eram poucas.
Quatro casais, quatro semanas no Havaí. A cada semana um casal ia ver os meninos no abrigo. A cada semana meu coração ficava apertado por lá.
Mas minhas companheiras de treinamento, que já sabiam do que estavam acontecendo, e a coordenadora maravilhosa Nirmala Abraham, sempre oravam por mim, sempre me acolhiam.
Foi uma festa, quando, no último dia do treinamento, mais especificamente no dia da graduação, recebi um telefonema do meu marido: são seus, são nossos, já estou com o termo de guarda.Ficamos felizes, chorei junto com minhas novas amigas!Fiquei louca para voltar e ver meus meninos. Cheguei no aeroporto e lá estavam me chamando de mamãe.
Tcharley já tinha me dito que o pequeno Cauan, vítima de tantos maus tratos, não ia no colo de mulher nenhuma, que eu não me assustasse se ele não viesse comigo. Mas minha alegria se completou quando cheguei até ele, ele sorriu e veio para mim.
Sou uma mãe orgulhosa de três pequenos heróis: Tiago, Hebert e Cauan.


