As enchentes que atingiram cerca de 60 municípios em Santa Catarina no mês de novembro fizeram até o momento 118 mortos e 32 pessoas ainda continuam desaparecidas. No início desta semana, o número de pessoas que deixaram suas casas por causa das enchentes era de 78.707, mas na noite de terça este número já havia caído para 69.164. Na quarta-feira, o número de desalojados e desabrigados caiu para 29.792, sendo que 5.533 deste total estão em abrigos e o restante, nas casas de parentes.

Roberto e Maria José Chenk
Roberto e Maria José Chenk

Residente em Florianópolis, o pastor Roberto de Souza Chenk está envolvido no problema de várias maneiras. Ele é secretário executivo do Instituto Haggai para Santa Catarina e também pastor na Igreja Batista de Eldorado e na Primeira Igreja Batista de Florianópolis, cujo pastor titular é o nosso graduado e docente Paulo Solonca.

Roberto Chenk e família carregando água para os desabrigados de Frei Damião
Roberto Chenk e família carregando água para os desabrigados de Frei Damião

Chenk é o fundador do Projeto CADI (Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral), uma ONG que trabalha junto ao Bairro Frei Damião, onde o Projeto Eldorado “Reciclando a Vida” foi implantado. Os projetos e ações do CADI, em suas especificidades, estão focados no atendimento à criança, ao adolescente e às famílias, entendendo que a saúde, a educação, a capacitação e a geração de renda, a cultura e o lazer são ferramentas de facilitação e transformação social. Como pastor e coordenador desse projeto, Chenk vive momentos dramáticos de socorro às vítimas das enchentes em sua localidade, provendo abrigo, comida, água potável, socorro aos doentes.

Foto da revista VEJA mostrando Itajaí, SC, município mais atingido pela enchente
Foto da revista VEJA mostrando Itajaí, SC, município mais atingido pela enchente

Para que se tenha uma idéia do problema local, no Bairro Frei Damião as enchentes desabrigaram 80 pessoas. Elas foram abrigadas na sede do CADI, com colchões e alimentação. Após retorno às suas casas, os moradores atingidos pelas cheias têm a difícil tarefa de reconstruir ou recuperar o pouco de que dispunham antes das chuvas. A maior dificuldade para os moradores é que eles sobrevivem da reciclagem do lixo. Com as chuvas das últimas 15 semanas e, principalmente, as chuvas ininterruptas das duas últimas, os catadores estão paralisados e o material armazenado está molhado, impedido de ser comercializado. Além da perda de moradias e utensílios, a perda financeira agrava ainda mais a condição social do bairro, trazendo fome para a comunidade.

Foto noturna da enchente no município de Palhoça, SC
Foto noturna da enchente no município de Palhoça, SC

Roberto Chenk comenta o desastre e fala sobre as ações que têm sido tomadas no sentido de minimizar o problema:

Hoje (quinta-feira, dia 27 de novembro) conseguimos enviar os últimos desabrigados para casa. Nosso trabalho agora é na reconstrução e manutenção das famílias porque eles ainda não conseguem sair para trabalhar. As pessoas que estão do outro lado da vala não conseguem atravessar para reciclar. Hoje fomos socorrer os parentes em Itajaí e levar uma carga de água potável. É difícil descrever a tragédia em toda a cidade, enquanto arrastávamos os galões de água que estavam boiando, as pessoas nos abordavam perguntando onde conseguimos aquela água, que naquele momento era tão essencial para a sobrevivência das famílias. Encontramos pessoas dormindo dentro de carros e carroças.

Acomodação dos desabrigados no interior do prédio do CADI
Acomodação dos desabrigados no interior do prédio do CADI

Na área onde estávamos centenas de pessoas carregavam comida em barcos e até nas costas dentro da água. O quadro era de pessoas em total desespero. Enquanto estávamos lá, foram localizados mais dois corpos descendo o rio. Um era de uma criança e outro de um adolescente. Ontem fomos até Florianópolis e amanhã voltaremos a Palhoça para continuar a limpeza de casas e levar mais água potável. Foi chocante ouvir o prefeito do município, de Luiz Alves, que somente hoje conseguiu o primeiro contato desde sexta feira, relatando enquanto chorava, sobre a destruição da cidade e que estavam enterrando pessoas sem a identificação por não terem local apropriado para a identificação e estarem isolados de outros centros de apoio. As autoridades já classificam essa enchente como a maior tragédia da história de Palhoça.

Ação destruidora das águas nas casas de Frei Damião
Ação destruidora das águas nas casas de Frei Damião

Ação destruidora das águas nas casas de Frei DamiãoUma nota de satisfação pode ser dada, que é ver como os irmãos da igreja estão se mobilizando nesse apoio aos desabrigados e ver também como o nome do Senhor Jesus tem sido glorificado e honrado através da participação da igreja.

Estamos conseguindo socorrer a comunidade. Nossas orações têm sido ouvidas. Continuem intercedendo por nós e por nosso trabalho de socorro às vítimas dessa enchente!”

Crianças abrigadas e alimentadas no CADI
Crianças abrigadas e alimentadas no CADI

Crianças abrigadas e alimentadas no CADIOs prejuízos causados vão muito além dos prejuízos materiais. Eles também são de ordem psicológica,moral e espiritual. Enquanto uns perdiam tudo pela força das águas, outros saqueavam o que ainda restava de valor. No meio disso tudo, nossos irmãos estavam presentes como verdadeiros sinais do reino de Deus no meio da tragédia.


Agora que as chuvas diminuíram e as águas baixaram, com o sol brilhando, as esperanças de uma vida mais tranqüila se renovam. Vamos continuar em oração!